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VALE A PENA SER SEDE DA COPA 2014?

Mário Grangeia

Do ponto de vista econômico, tudo indica que não. Segundo os cálculos preliminares da CBF, o Brasil vai precisar gastar R$ 11 bilhões para se preparar para a Copa de 2014. Tomando por base só essa despesa, sediar o torneio parece uma fria - afinal, daria para turbinar áreas como saúde, habitação e educação (e ainda movimentar a economia) se não fosse preciso gastar uma grana modernizando estádios, por exemplo.
Mas é preciso considerar outros itens para medir o retorno da Copa, como o gasto dos turistas. Pelas contas do governo, a Copa deve atrair 500 mil estrangeiros, que gastariam até 3 bilhões. Além disso, se a competição gerar tantos postos de trabalho quanto a Alemanha gerou em 2006 (25 mil novas vagas), dá para computar mais 500 milhões em investimentos, já que o custo médio por novo emprego está na casa dos R$ 20 mil. Há ainda quem identifique uma expansão da economia dos países-sede. Mas isso não é consenso. "Crescimento econômico é difícil de prever com tanta antecedência. No fim das contas a alta do PIB pode ficar próximo de zero", afirma o economista Fábio Sá Earp, da UFRJ.
A esperança são os benefícios de longo prazo, mais difíceis de medir. Um estádio novo, por exemplo, pode gerar um círculo virtuoso no bairro, bombando o comércio e elevando a arrecadação para fazer mais obras. Sem contar que o torneio pode aumentar o fluxo turístico e melhorar a imagem do país. Se tudo isso acontecer, aí sim, quem sabe em algumas décadas a gente poderá dizer que sediar uma Copa é um bom negócio.

BOLA DIVIDIDA

Estimamos os gastos para o torneio e um plano altenativo para aplicar a grana.

Torneio

R$ 8,5 bi
Onde: Infra-estrutura.
Quem gasta: Governo.
Grana para a infra-estrutura das cidades sede. Segundo a Fifa, 4 candidatas precisam aumentar seu aeroporto e 6 não têm transporte público estruturado para receber adequadamente os jogos.

R$ 2 bi
Onde: Reforma e construção de estádios.
Quem gasta: Iniciativa privada.
A aposta é que os governos locais busquem capital privado para fazer decolar os projetos. Em troca, os empresários teriam o direito de administrar os estádios por no mínimo 20 anos, para, em tese, obter lucro.

R$ 700 mi
Onde: Instalações oficiais.
Quem gasta: Fifa
Este é o único dinheiro garantido. A Fifa afirma que ela mesma vai bancar a construção de estruturas de apoio para os jogos, da sede do comitê organizador, dos centros de mídia e das centrais de segurança.



Plano Alternativo

R$ 2,1 bi
Onde: Expansão do saneamento
Para levar água tratada a 2,2 milhões de casas e coleta de lixo a 2,1 milhões - cerca de 20% do déficit de saneamento.

R$ 2,8 bi
Onde: Crédito para casas populares.
Para financiar construção ou compra de 480 mil casas populares - 6% do déficit habitacional.

R$ 2,8 bi
Onde: Universalização da eletricidade.
Para levar luz a 1,6 milhão de pessoas no campo - 13 % da população sem acesso à energia.

R$ 1,4 bi
Onde: Combate ao analfabetismo.
Para ensinar 600 mil jovens e adultos a ler e escrever - o que representa 4% a menos analfabetos no país.

R$ 1,4 bi
Onde: Bolsa Família.
Para custear o programa por um ano para 1,8 milhão de famílias, que receberiam um auxílio mensal de R$ 62.

R$ 700 mi
Onde: Saúde da Família
Levar o programa Saúde da Família a mais de 2 milhões de pessoas - superaria a população de Curitiba e Recife.

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